Em menos de 48 horas, presidente do Paraguai renuncia, sofre impeachment e é colocado em prisão domiciliar após crise bancária

Internacional

O Paraguai enfrenta uma grave crise política após a renúncia, o impeachment e a prisão domiciliar do então presidente Santiago Peña. Em menos de 48 horas, o político deixou o cargo, foi destituído pelo Congresso e passou a ser investigado por suspeitas de irregularidades relacionadas à crise do banco digital Ueno Bank.

Peña foi detido por agentes da polícia paraguaia na noite de sexta-feira (6), após o Ministério Público emitir uma ordem de prisão contra ele e o ex-presidente do Banco Central, Carlos Dagoberto Carvallo. Os dois são investigados por possíveis irregularidades relacionadas à instituição financeira.

A destituição de Peña foi aprovada pelo Senado na sexta-feira, com 44 votos favoráveis e uma abstenção. Pouco depois, o então vice-presidente Pedro Alliana tomou posse como novo presidente do Paraguai e ficará responsável por concluir o mandato, previsto para terminar em 2028.

Peña deverá permanecer em prisão domiciliar, em sua residência, em Assunção, enquanto a Justiça define as condições de cumprimento das medidas judiciais. Ele não utilizará tornozeleira eletrônica neste primeiro momento e será monitorado por agentes policiais.

O ex-presidente foi intimado a comparecer ao Ministério Público na manhã deste sábado (7). Segundo o promotor Christian Benítez, as acusações ainda estão sendo definidas. Entre os possíveis crimes investigados estão abuso de confiança e tráfico de influência.

“Vamos analisar as provas e depois formular as acusações e, finalmente, o juiz criminal de garantias será quem determinará onde essa pessoa ficará durante todo o processo”, afirmou o promotor.

Peña nega ter cometido irregularidades.

Entenda a crise do Ueno Bank

A crise que desencadeou a queda do presidente começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai iniciou o processo de liquidação do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do país.

A medida foi tomada após a identificação de problemas de solvência relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao banco. O índice de solvência da instituição estava abaixo da metade do mínimo exigido para seu funcionamento.

Com a intervenção, as contas de aproximadamente 3 milhões de clientes foram bloqueadas, impedindo o acesso ao dinheiro. O número representa quase metade da população paraguaia, estimada em 6,5 milhões de habitantes.

A instituição também administrava cerca de US$ 850 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 4,6 bilhões, em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.

Santiago Peña, economista que assumiu a Presidência em 2023, foi acionista do Grupo Vázquez, proprietário do Ueno Bank, até março de 2025.

A oposição acusa o então presidente de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e tentativa de encobrir irregularidades por meio de órgãos institucionais.

A crise também provocou a saída de Carlos Carvallo da presidência do Banco Central, na terça-feira, após um pedido de Peña.

Como aconteceu o impeachment?

A crise política se intensificou na quinta-feira (5), quando o Congresso iniciou os procedimentos para analisar o impeachment de Santiago Peña.

Na Câmara dos Deputados, a acusação contra o presidente foi aprovada por 78 votos favoráveis e nenhum contrário. Com isso, o processo foi encaminhado ao Senado.

Antes da votação, Peña anunciou que pretendia renunciar ao cargo. Segundo ele, a decisão buscava preservar a estabilidade do país e evitar uma crise institucional ainda maior.

“Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas”, declarou.

A renúncia, no entanto, precisava ser analisada pelo Congresso. Parlamentares da oposição resistiram à proposta por entenderem que a saída voluntária poderia permitir que Peña mantivesse o foro privilegiado.

Na sexta-feira (6), o Senado retomou a análise do pedido de impeachment. A defesa solicitou que o prazo para apresentação dos argumentos fosse ampliado de 12 para 72 horas, mas a proposta foi rejeitada por 39 votos.

Peña não compareceu pessoalmente à sessão e foi representado pelos advogados Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda.

Após as manifestações da acusação, da defesa e dos senadores, o impeachment foi aprovado por volta das 18h50, no horário de Brasília, com 44 votos favoráveis e uma abstenção.

Pedro Alliana assume a Presidência

Cerca de uma hora após a aprovação do impeachment, o então vice-presidente Pedro Alliana tomou posse como presidente do Paraguai.

Ele ficará responsável por concluir o mandato iniciado em 2023, com término previsto para 2028.

Em seu primeiro pronunciamento no cargo, Alliana determinou a adoção de medidas imediatas para atender os clientes prejudicados pela crise do Ueno Bank.

“Os compatriotas que hoje atravessam um momento difícil, em decorrência do colapso financeiro, serão plenamente compensados. Não os deixaremos sozinhos”, afirmou.

O novo presidente também determinou que o governo priorize o ressarcimento dos clientes em situação de maior vulnerabilidade.

Fonte: Alô Juca

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