Flávio considera mudar correção da Previdência, da saúde e da educação para obter até R$ 250 bi

Bahia Política

A avaliação da campanha é que o avanço célere do pacote geraria uma queda imediata no prêmio de risco e na curva de juros antes mesmo do início do novo mandato. No início desta semana, com Flávio à frente de Lula no primeiro turno eleitoral, a Bolsa disparou, os juros futuros recuaram e o dólar despencou.
 

Em outra frente de formulação, o plano econômico de Flávio vem sendo abastecido pelo “Projeto Brasil”, elaborado pelo economista Adolfo Sachsida para subsidiar a candidatura. Sachsida foi secretário de Política Econômica e ministro de Minas e Energia no governo Jair Bolsonaro. Como advogado, visita com frequência o ex-presidente preso.
 

Por trás das diretrizes gerais do projeto, dezenas de especialistas, entre economistas, juristas e ex-integrantes do Ministério da Economia, preparam nos bastidores minutas detalhadas de propostas legislativas e decretos para 2027.
 

O trabalho foca na substituição do atual arcabouço fiscal por uma nova âncora baseada no controle da trajetória da dívida/PIB, além de privatizações, corte de ministérios, fim de supersalários no funcionalismo, revisão de subsídios e ampla desregulamentação.
 

A urgência de um freio de arrumação nas contas públicas é respaldada por números do Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP). Os estudos mostram que os gastos com Previdência e assistência social avançam a um ritmo de 6% ao ano acima da inflação, impulsionados pelo envelhecimento da população e pelas regras de valorização do piso.
 

Dados do projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026 citados pelo centro indicam que cada R$ 1 de aumento real no salário mínimo amplia as despesas obrigatórias da União em R$ 429 milhões.
 

Sem mudanças nas regras, as estimativas do CDPP apontam que o déficit primário do governo central pode saltar de -0,5% do PIB para -3% em uma década. Com a carga tributária no patamar recorde de 32,4% do PIB e a dívida pública projetada para alcançar 86% do PIB em 2027, a avaliação de analistas e interlocutores da campanha é que a margem para expansão de receitas se exauriu.
 

As projeções do CDPP mostram que a limitação do reajuste dos benefícios previdenciários e assistenciais à inflação geraria uma economia acumulada de R$ 1,1 trilhão em dez anos, passando de R$ 15 bilhões no primeiro ano para R$ 238,5 bilhões anuais em 2035.
 

Já no caso de saúde e educação, incluindo a complementação federal ao Fundeb, a mudança na regra dos pisos projeta um alívio fiscal acumulado de R$ 800 bilhões no mesmo período, evoluindo de R$ 29 bilhões no ano inicial para R$ 145 bilhões ao final da década.

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