A Polícia Federal aponta “robustos indícios” de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de ativos envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, do Banco Master. As informações constam em relatório que teve o sigilo retirado na sexta-feira (11), no âmbito das investigações sobre o caso.
Segundo a PF, a relação entre Wagner e Augusto Lima envolvia possíveis vantagens econômicas em troca de atuação política favorável aos interesses do grupo financeiro. Os investigadores contabilizaram 74 ligações entre os dois, realizadas entre novembro de 2023 e maio de 2025, totalizando cerca de cinco horas e meia de conversas.
Entre os elementos analisados está a negociação de um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2,4 milhões, em Salvador. De acordo com o relatório, Wagner teria indicado o imóvel e participado das tratativas. A PF afirma que o bem seria registrado em nome de terceiro como forma de ocultar sua real titularidade.
A investigação também cita uma transferência de R$ 3,5 milhões realizada pela PKL One Participações, ligada a Augusto Lima, para a BN Financeira, empresa relacionada a Eduardo Sodré, enteado de Wagner. Para os investigadores, as empresas ligadas a familiares do senador aparentemente não apresentavam estrutura operacional compatível com as movimentações analisadas.
Outro ponto levantado pela PF envolve o uso de aeronaves. Segundo o relatório, Augusto Lima teria disponibilizado ao senador ao menos quatro voos, além de ingressos para um show da cantora Taylor Swift. Também são investigadas possíveis articulações políticas relacionadas a pautas de interesse do Banco Master
Entre essas pautas está a chamada “Emenda Master”, que tratava do aumento do limite de aplicações financeiras protegido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A PF também investiga possíveis relações entre a atuação parlamentar de Wagner e interesses do banco em temas como crédito consignado e a aquisição do Master pelo BRB.
Wagner nega ter recebido vantagens indevidas e contesta a interpretação feita pelos investigadores. O senador deixou a liderança do governo no Senado após se tornar alvo das investigações. O caso segue em apuração, e as suspeitas apontadas no relatório ainda não representam condenação ou conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal.
Fonte: Bahia Noticias

